quinta-feira, 8 de novembro de 2012

"A CONTA"



Humm...Digamos que a gente beba sei lá, umas seis cervejas, o que já é muito... Caso ela não beba álcool, vai tomar uns dois refrigerantes no máximo... mais a comida... apesar que mulher nunca come muito no primeiro encontro, eu também não sou de comer muito... hummm...Vamos colocar a sobremesa só para desencargo de consciência... mais dois couvert... quer dizer, só o dela, porque o meu eu não pago.. o ônibus... ida e volta...xiiii...a volta vai ter que ser de táxi...uma halls e um maço de cigarro...
Acho que dá.

Oitenta e cinco reais e quarenta e dois centavos, um dólar e um botão.
Foi tudo que a lata comprida da embalagem vazia de whisky, que eu usava como cofrinho, me ofereceu para esta noite.

E metade disso era em moedas.

Eu nunca tive papai nem mamãe para me dar mesada. Quer dizer, meu pai faleceu faz um tempo e minha mãe tinha compromissos mais importantes com o orçamento da casa do que se preocupar com meus caprichos fúteis.
Por conta disso, trabalhei desde cedo e sempre aprendi a me virar com pouco.
Também nunca fui bom em e-con-omiz-ar...econo-mi..Nem sei soletrar.
Meu incrível plano orçamentário consistia em pegar todo o salário, enfiar na lata e ir “sacando” aos poucos.

O ruim de sair com as mulheres da minha época de jovem, é que não havia a menor possibilidade de uma mulher rachar a conta com você. Nem pagar uma pipoca, podia. Pegava mal. Coisas do machismo.

E nesse dia eu tinha um encontro às escuras.
Eu ainda peguei encontros às escuras.
Hoje em dia é tudo mais fácil. Usando google e facebook qualquer idiota vira um super agente secreto da CIA.

Dá para ver “os córnos” da pessoa, condição social, do que ela gosta, onde freqüenta, quem está comendo, circunferência dos mamilos, marcas na bunda, a última vez que foi no ginecologista. E claro... todos os ingredientes do prato que a pessoa comeu no almoço.

Enfim...

O fato é que a minha amiga Pomarola me devia uma.
Apresentei um camarada para ela, que era bonito, de família, com dinheiro e corretíssimo.
Se casaram anos depois, inclusive. (Mas já se separaram.)

- “Finalmente quitarei minha dívida com você!”
- Até que enfim! Mas não dá para vocês virem juntos? Seria bem melhor sairmos em dois casais.
- “Não me diga que o magnânimo e surpreendente Mr. Morse está nervosinho?
- Não estou nervoso, mas é que...
- “Pode ficar tranquilo porque essa minha amiga é ótima e eu estou há meses só falando bem de você.”
- Falando o que?
- “Ahhhh... Mentindo, né!”
- Porra, Pomarola!
- “Estou brincando. Mas ela está doida para te conhecer de verdade. Tenho certeza que vocês vão se dar super bem.”
- Falou para ela que eu sou preto?
- “Não. Falei que você era albino! Claro que contei, né?!’
- Bom, porque eu não gosto de dar susto em ninguém igual um Saci, não.
- “Relaxa... Confia em mim. Boa sorte! Tchau!”

Pomarola desligou o telefone e eu ainda fiquei discando os números aleatoriamente e pensativo.

Claro que eu estava nervoso!
Sou tímido! Ao contrário do esforço que faço para parecer o contrário.

Cheguei ao local com meia hora de antecedência e pedi um chopp ao garçom.

O problema de um encontro às escuras, é que corre o risco da pessoa que você está esperando não ser nada daquilo que você imaginou.

E foi exatamente o que aconteceu.

Não acreditei quando vi a mulher que me olhava sorrindo enquanto se aproximava da minha mesa.

- Puta que pariu... Pomarola, sua filha da puta!

A mulher era fantástica!

Chegou bem perto de mim e sacou o dedo, como quem brinca de cowboy:
- “Angelo Morse, acertei?”

Acertou na goela do meu estômago.
Todo o resquício de confiança que eu estava guardando foi-se embora pela minha cueca.
A mulher era muita areia para o meu caminhão.
E eu nem tinha caminhão.

Para não perder a compostura, fiz o que qualquer homem confiante faria:
Gaguejei:
- Si-sim. E vo-você é a...

Esqueci o nome da mulher, acredita?

- “Karen!”
- Claro! Karen... perdão!

Limpei a garganta como se ela fosse a culpada pela minha imbecilidade.

Eu dei beijinho no rosto, quando fui dar o segundo, ela tirou a cara.
Meio constrangedor.

- “Foi mal! Esqueço que aqui no Rio damos dois beijinhos.”

Veio e me deu mais um smack molhado na bochecha.

- “É que paulista só dá um.”
- Você é de Sampa?
- “Nem pensar! Morei lá com o meu pai durante os últimos três anos. Agora voltei para cá de vez. Amo o Rio!”

Karen não falava só com a boca.
Abusava das mãos, dos olhos e das pernas. Era inquieta, a mulher!
Pontuava cada frase com uma simples e charmosa jogada do cabelo preto, cheio e encaracolado.

Eu estava com a minha melhor roupa, mas devia ter saído com a minha melhor cara.

- “Sabe o que eu quero? Caipirinha!”

O preço da caipirinha era o mesmo de uma cerveja. Recalculando a lata...

- Boa pedida!

Assobiei para chamar o garçom igual um velhinho asmático, mas Karen se antecipou levantando o braço, chamando atenção dele e de todos ou outros homens ao redor.
Foi o suvaco mais sexy que eu já vi em toda minha vida.
Me deu vontade de beijá-lo. De língua.

Enquanto eu cervejava; ela caipirinhas.
Eu fazendo conta de cabeça igual o Rain Main.

- “Estou com fome, sabia?”
- Eu nem tanto.

Como ia ter fome depois do prato que bati em casa para forrar o estômago?

- ‘Ah, mas eu nem almocei.”

Glup!
Qual é a última coisa que uma mulher vai pedir num primeiro encontro?

- “Hummmmmmmm... Frango a passarinho!”

E a lata esvaziando.

A mulher comeu igual uma amazonas. Mas sem perder o charme.
E dá-lhe caipirinha... E a lata esvaziando...

Karen era diferente de tudo o que eu já tinha visto na vida em forma de mulher.
Não ligava para porra nenhuma e só prestava atenção em mim.

Falava muito e muito rápido, feito uma metralhadora de palavras.
No meio da noite eu já sabia tudo sobre a vida dela.

- “Eu falo para caralho, né? Me conta de você!”
- De mim?

Estiquei ao máximo tudo o que eu achava de mais interessante na minha existência.
E para tentar ficar mais bonito, olhava para os olhos delas como se fossem flashs de câmeras.

Mais o meu maior problema é que pobre tem mais é que morrer, mesmo!
Da minha grana, pelas minhas contas...Só restava o botão.

A medida que o garçom ia despejando coisas na mesa, eu ficava com aquela cara de quem está com cólicas de dor de barriga, saca?

- “Tudo bem, Angelo? Acorda!”
Estalou os dedos na minha cara.

- Hehe...
Dei aquele sorriso de cagado.

- “Ficou disperso, de repente.”
- Desculpe. É que eu acabei de lembrar uma coisa...
- “O que?”

Preciso roubar aquele senhor ali e já volto.

- ...Prometi a Pomarola que dançaria com você.

Han????
Inventei.
Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
Aproveite que estava tocando Skank no som do lugar.

Levantei e fiz uma cara de James Bond:
- Me concede essa dança?
- “Com certeza...”

Está fudido? Está desesperado? Está duro? Dança. E eu sei dançar bem.

Enquanto a gente rodopiava eu tentava achar uma forma de pagar aquela conta que já tinha ultrapassado umas duas vezes o valor que eu tinha ingenuamente estipulado para gastar naquela noite.

O que eu sei, é que no meio disso tudo ela me beijou.

Fim da história.

Mentira...

Eu ainda tinha que pagar a conta.
Eu sei, eu sei...

De repente ela manda serpentemente no meu ouvido:
- “Quer ir para outro lugar?”

Tá de sacanagi...
Nem tinha cogitado o motel. No primeiro encontro?
Me senti um eunuco* frente uma prostituta.

Aí, não tinha jeito. Só se a gente levantasse e saísse correndo do restaurante.

- “Te assustei?”
- Nãããão... cla-claro que não.
- “A vida é curta e eu sou direta.”

Deu uma gargalhada mordendo o canudo do copo.

- Filosofia de vida interessante, mas é que...

Parecia que eu ia cometer um Harakiri*


- Por incrível que pareça...Hoje...

Tanto o anjo e o diabinho tentavam me amordaçar com o guardanapo.

- Eu não posso chegar em casa muito tarde.

Tiro na têmpora.

- “Sério? Porque?”
- É que... a minha mãe está muito doente...e...precisa...tomar um remédio...e...enfim...
- “O que ela tem?”

Um filho retardado.

- Ela tem...uma..ma...no coração...e...Não quero falar sobre isso!
- “Tudo bem. Mas tem alguém com ela agora?”
- Tem a minha irmã, ma...mas... Ela vai viajar de madrugada. Geralmente a gente divide, mas ela já tinha marca-cado essa viagem antes de eu combinar de sair com você, então...
- “Puxa...”
- Mas eu vim! Não ia deixar de te conhecer por nada nesse mundo.

Tirei o cabelo dela do meio da testa com o indicador.

- “Por isso você ficou meio estranho de repente, né? Quer ir embora agora?”

Não, quero casar com você e ter quinze filhos!

- Não, não... podemos ficar mais um pouco.

Gente, eu estava esperando uma brisa, me aparece um furação.

- “Então vou pedir mais uma caipirinha!”
- Pede duas.

Já estava fudido mesmo.

- “Vou ao banheiro.”
- Ok.

Nessa hora eu pensei:
a)    Choro até ficar seco por dentro.
b)    Me mato e reencarno como um camundongo.
c)     Tenho um ataque epilético.

Quando o garçom voltou eu tive que chamá-lo na conversa:
- Cara, estou com um problema. Esqueci meu dinheiro em casa.
- “Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...”
- Pois é! E estou com essa deusa. Não posso contar isso para ela.
- “Amigo...Fala com o gerente.”
- Quem é?
- “Aquele lá!”

Quando estava indo de joelhos pedir clemência ao gerente, dou de cara com o músico que acabara de chegar com o violão nas costas. E era meu amigo.

Por isso que eu não iria pagar couvert.

Me atraquei no pescoço dele igual uma surucucu no cio.
Contei toda história.

Ele foi de uma sensibilidade ímpar!
- “Faz o seguinte. Vê quanto que deu, abate o que você tiver aí, que o resto eu falo para jogar na minha conta. Depois você me paga!”
- Jura?
- “Com a gente não tem isso.”

O mais engraçado, é que ele nem era meu amigo tanto assim, mas por conta desse dia, se ele me pede um rim hoje, eu dou.

Voltei para mesa e Karen já estava sentada sem entender nada.
- “O que houve?”
- Esse que é o meu amigo. Vai começar a tocar só agora.
- “Legal!”

Ainda curtimos um pouco do som enquanto a caipirinha descia no copo.
E ainda deu para trocarmos mais alguns beijinhos...

- “Se eu te disser uma coisa você jura que não fica chateado?”

Tensão.

- Pode falar.
- “Eu sei como vocês meninos são com essa coisa de dinheiro e tal...”

Glup!

- Han...
- “Eu já paguei a conta!”
- Como assim????
- “Eu sabia que você não ia me deixar dividir e resolvi pagar tudo.”
- Que isso menina?
- Ah Angelo! Você veio para cá, com a mãe doente, só para me ver, pô.
- “Nada a ver, eu...”
- A próxima você paga!
- Não, não...Vou chamar o garçom e...
- “Shhhhhhhhhhhh!”

Colocou o dedo selando meus lábios.

- Tudo bem, então na próxima eu pago.

Onomatopeia da metafórica latinha enchendo novamente no meu bolso:
 Clin clin clin clin clin

Essa menina era um espetáculo, não? Inverossímil.

- “Mas agora vamos embora porque até eu estou preocupado com a sua mãe.”
- Mas é que...

E aí? Como é que desfaz a história?

- Tem razão.

Botei ela no táxi para um lado e peguei outro para casa.
- Você me liga?
- “Claro!”

Mas nunca mais rolou...

Lembro de chegar em casa, e minha mãe, mais saudável que um búfalo ainda mandou essa:
- “Achei que você fosse chegar de manhã.”
- É...

E virei de volta na latinha: setenta reais e quarenta e dois centavos, um dólar, um botão e uma camisinha velha e suada que eu sempre levava na carteira.

Nem vou contar o esporro que tomei da Pomarola.


Nota: * = google       

E não esqueça de divulgar para os amigos e inimigos também.
Você me ajuda e eu fico feliz.
Bejoca

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A Barbie Mendiga



Em doses mais altas, o álcool é prejudicial ao ser humano e pode causar  estupro.
Quer dizer, es-tu-por, que é um estado de consciência ou sensibilidade apenas parcial ou insensibilidade acompanhada por pronunciada diminuição da faculdade de exibir reações motoras

Para quê fazer medicina se a gente tem o Wikipédia, né?

Bom, o fato é que ela tinha uns vinte e poucos anos.
Pelo semblante devia fazer aniversário em dezembro.
Tinha cabelos loiros que acalentavam seus ombros desnudos.
Seios joviais e úmidos como botões de flores de esquinas.
Olhos amadeirados e lábios cor de rosa que suplicavam em serem tocados.
Dentes brancos feito tic tacs, braços longos e finos e mãos de pianista.
Para completar... uma bundinha de pastel de queijo.

Agora pega tudo isso e passa com um caminhão de cerveja em cima.
VRUMMMM!
Mais uma vez, de ré.
VRUMMMM!
Desce do caminhão, pega um engradado e taca nos cornos dela.
BUM!

Então, assim era a mulher.
A Barbie Mendiga.

O rímel escorrido pela cara dava todo um toque Halloween.
O pé estava da cor do pé do Negrinho do pastoreiro.
E o calcanhar parecia de um amassador de cacau.
O vestido, bonito e caro, fora rasgado provavelmente por uma cerca de arame.
O joelho ralado pelo asfalto minava gotículas de sangue e piche.
A sandália alta parecia que tinha rodinhas.

Estava completamente perdida na terra como se tivesse acabado de ter sido expulsa do céu pelas próprias mãos de Deus.

E eu de terno, óculos escuros, tomando um Toddynho no sinal.

Olhei o meu mini computador de bolso que tem funções de celular:
Segunda - 06:23 AM

- Malditos jovens solteiros, sem filhos e sem contas!

Confesso que mesmo vendo o estado deplorável que a menina se encontrava, bateu uma inveja da irresponsabilidade dela.

A Barbie Mendiga ouviu meu pensamento.

Com a cabeça ainda baixa, ela levantou os olhos para cima, por dentro do cabelo, em minha direção no melhor estilo: Samara do “O chamado”, saca?

- Ô, ô.

Desviei o olhar. Não quero confusão.

Ela veio toda mamulenga em minha direção, tentando andar em linha reta. Com os pés de Curupira, ficava difícil.
Andava numa corda bamba imaginária, a bêbada equilibrista.

- “Moço!”

De moço para tio passa rapidinho. Sabe disso, né?!

- “Me ajuda?”

O sinal ficou vermelho e eu não fui.

- Pois não?
- “Estou muito perdida!”

Disse isso choramigando, soluçando e rindo ao mesmo tempo.
Tirou o cabelo da cara e tentou usar a arma mais poderosa de uma mulher: 
O charme.

Mas com aquela maquiagem toda borrada, o sorriso dela tomou um ar insano, igual o do Coringa.
- Onde você mora?
- “Eu estou na casa da Joana.”

Disse tropegamente.

Essa é fácil. A casa da Joana fica depois da casa da Roberta, esquina com casa da Sueli ao lado da casa da Fabíola.

- Se concentra! Onde a Joana mora?
- “Joana mora...ic!..ela é minha amiga...ic!...eu estou com ela.”
- Cadê ela?
- “A gente estava juntas na festa! Mas ela...ic!... sumiu.”
- Cadê seu celular?
- “Perdi.”
- Você lembra onde era essa festa?
- “Na Barra da..ic!”
- BARRA DA TIJUCA? Porra! É muito longe daqui! Como é que você veio para cá?
- “Hummm... Não lembro.”

Não posso julgá-la. Já acordei várias vezes em casa sem saber como tinha chegado.
Uma vez eu peguei o mesmo ônibus quatro vezes até o motorista me colocar num táxi.
O taxista me deixou na porta de casa e passou no dia seguinte para receber a corrida.

Jovens... Só fazem merda.

- “Moooooooooooooooooooooooooooooço!”

O bafo maligno de álcool inverteu os pêlos da minha sobrancelha e queimou alguns dos meus cílios.

Identifiquei os odores de cerveja, tequila, whisky, blue curaçau, leite condensado, vômito, sêmen, orégano, carne moída...e pimenta calabresa.

Meu olfato é canino.

- “Me ajuda!”
- Estou tentando, calma! Olha para mim.

Segurei no queixo dela com firmeza, que me encarou de forma sagitariana.

- Presta atenção...
Expliquei passo a passo, onde ela estava e dei até as coordenadas de latitude e longitude.

- “Agora tenta lembrar onde sua amiga Joana mora.”
- “A...Joana?”
- É.
- “Ela...”
- Sim.
- “...ela...ic...sumiu da festa!”

Segunda, 7:01
 E eu já estava atrasado.

- Quer uma Coca?

Coca Cola é remédio e não refrigerante.  Isso nem a Madre Tereza de Calcutá me tira da cabeça!

Ficamos lado a lado no posto de gasolina numa cena digna de um pôster de filme do Woody Allen.

Uma loira bêbada e um negro sóbrio de terno, em plena zona sul, quem olhava jurava que eu era pastor evangélico tentando salvar uma alma perdida.

Demorou mais ela fez o que todo bêbado uma hora faz:
Começou a chorar.

Mulher chorando é meu ponto fraco.
Custou R$ 30,00 para tirar as manchas e o fedor do paletó.

Se fosse um mendigo de verdade não tinha nem chegado perto, a verdade é essa.

Era uma merda.
Aquilo não tinha nada a ver comigo, estava atrasado e nem conhecia a menina...
Nem bebido com ela, eu tinha.

Mas Saint Exupéry..."Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...

Droga.

Não sabia o que fazer.
A menina estava suja e alcoolizada, mas dava para ver que era bem cuidada de berço. Classe média ou classe alta.
Não podia entregá-la para... sei lá... a polícia militar.

(NOTA PARA OS LEITORES JOVENS: Isso aqui é um blog de humor. Na verdade, toda vez que estiverem em apuros, procure sim um policial, pois eles estão aqui para servir e proteger.)

- Olha menina, eu realmente não sei...
- “Lembrei o endereço!”
- Jura? E qual é?
- “O nome eu não sei, mas é no começo dessa Avenida, ao lado do MC Donald's”
- Tem certeza?
- Tenho.

Dava uns oito quarteirões até lá.

Com aquele equilíbrio de ovo em jangada, a maluca não ia chegar lugar nenhum.

Fiz o que todo cavaleiro faria...
Parei um táxi.

- Amigão! Você pode deixar essa senhorita em frente ao MC Donald's, por favor?

Peguei a única e solitária nota de dez reais que eu tinha na carteira e dei pra o taxista que parecia o Zagallo.

E meteu a cabeça para fora da janela:
- “Muito obrigado, você é um amor!”

Me deu uma bitoca na bochecha que mesmo infectada, ficou corada.

O sinal abriu e o táxi partiu.

Despachei o ebó.

Só que...
O táxi parou na próxima esquina.

- Ai caramba...

A Barbie Mendiga saiu do carro e parou na porta de um prédio. 
O taxista picou a mula.

- Puta que pariu. É hoje!

Arqueei a sobrancelha e fui me encaminhando até lá.

Só que maluca entrou no prédio direto e subiu.

Quando cheguei no prédio, toquei o interfone e falei com o porteiro:

- Bom dia!
- “Bom dia.”
- O senhor conhece essa menina que entrou aqui nesse minuto?
- “Conheço desde criancinha.”

Não queria perguntar, mas...

- Qual o nome dela?
- “É a Joana...do 612.”

Odeio Conta Uma de manhã...