terça-feira, 19 de junho de 2012

Minha Impressora Obsediada


Posso contar uma rápido?

No meu trabalho sou o único macho no meio de vinte fêmeas.
Já viu, né?
Todos os dias têm pelo menos uma com Tensão Pré Menstrual.
Ou com Tensão Pré Tensão.
Seria bem mais tranquilo se tivesse um “n” a menos, mas não é assim.

Confesso que eu também ficaria um pouco estressado se soubesse que durante alguns dias iria perder um copo de sangue do meu corpo.

Falando nisso...

Imagina se homem menstruasse...

Mermão...seria uma porcaria generalizada.

Para começar ia ter sempre disputa de quem sangra mais. E isso seria sinal de masculinidade.

Sempre ia ter um filho da puta limpando a mão suja de
sangue na calça, antes de pegar a batata frita na mesa do bar.

Jogaríamos absorventes na TV quando o juiz não apitasse um pênalti.

Passaríamos sangue na cara do amigo quando o time dele levasse um gol.

O trânsito ia ser um campo de batalhas.

E claro...A cólica em nós iria doer mais..

Enfim, ainda bem que nos livramos disso.

Mas as mulheres não, eu acho que é por isso que elas ficam tão bravas.

É por isso que sempre preciso recorrer ao meu treinamento Jedi para sobreviver nesse mar de progesterona, estrogênio e minas terrestres.

Mas como vocês sabem, eu sou Matrix, tiro isso de letra.

O foda, é quando a impressora também está de TPM...

Imprimir...

[Silêncio]

Imprimir...

[Silêncio]

IMPRIMIR!

- Droga!
- “CLAVASK, PROVACT! CLAVASK, CABROSFISK, CLAVASK!”

 Reza a lenda, que dentro da minha impressora, vive um anão que tritura a madeira com os próprios dentes para fabricar o papel que será impresso.

Mas eu não acredito nisso.

- “CLAVASK!”
- Ôô.

[Silêncio]

- Hum...
- “CLAVASK!”
-Vai você!
-“CLAVASK!”
- Olha só! Se a senhorita está achando que vai me fazer perder a paciência, num dia tão bonito como hoje, está muito enganada...

Eu falo com máquinas.

Usando toda minha genialidade em computadores, fiz o que qualquer um faria...
Meti o dedão no OFF para mostrar quem manda.

(Que bom seria se pudéssemos reiniciar tudo na vida assim, tão tranquilamente.)

E meti o dedão novamente: ON

- “ZUUUUUUUUUUUUUUUUU....CLAFT!”

Impressora funcionando.

Pronto! Foi bom mesmo parar de palhaçad...

- “pipippipipipipipipipipipipipipipipipipipipipipipipipi...”

- O que foi agora sua louca?

- “pipipipipipipipipipipipipipipipipiippii...”

- Que diabos você...
- “CLAVASK! CLAVASK! CLAVASK!”
- Olha o respeito hein!
- “CLACK!”
- Serei obrigado a te agredir?

Peguei a tesoura e apontei para ela.

- “Vuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...”
- Ficou com medo, né?
- “Dji, dji, dji, dji, dji, dji, dji...”

IMPRIMINDO.

- Melhor assim.
- “Dji-dji-dji-dji-dji-dji-dji...”
- Mas  que filha da...Não foi isso que eu botei para imprimir.

Ela estava imprimindo um documento de quinze de fevereiro de 2009.
Uma porção de patinhos amarelos.
Pura provocação.

- “Dji-dji-dji-dji-dji-dji-dji...”

2ª FOLHA; 3ª FOLHA...

- Cancelar impressão!

- “Dji-dji-dji-dji-dji-dji-dji...”

4ª FOLHA

- Iniciar – painel de controle – impressora – cancelar documento!

“Dji-dji-dji-dji-dji-dji-dji...”

5ª FOLHA

- CANCELA A IMPRESSÃO DEMÔNIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!

“Dji-dji-dji-dji-dji-dji-dji...”

6ª FOLHA

OFF
Desliguei novamente o botão, dessa vez com um soquinho.

Admito que me desequilibrei um pouco.

Mas é que eu estava com muita pressa.
Nunca deixe o seu computador suspeitar disso.

De qualquer forma, achei melhor pedir desculpas:
- Impressora, meu amorzinho...Desculpa!
- Tudo bem?
- Vamos deixar tudo o que passou para trás?
- Eu te amo! Nós somos um só!
- Quem é a impressorazinha do papai? Quem é hein? Quem é? Quem é?

Nem vi a funcionária em pé na porta me olhando abraçar a impressora:
- “O que você está fazendo, Angelo?”
- Cof! Eu? Nada, eu só estou reiniciando o computador e ligando tudo novamente porque deu uma pane aqui.
- “Hummmmm...Melhor eu voltar depois então”
- É melhor!

- “CLAVASK! FAST! POINT! XIFT!”
 Impressora pronta para imprimir.

- Isso aí amoreco! Podemos ir então?
- “CLAFT”
- Promete?
- “CLAFT”
- Ok. Então vamos lá: Im-pri-mir.

 - “Vuuuuuuuuuuuu...Dji-dji- dji-dji- dji-dji...”
- Perfeito.
- “Dji-dji- dji-dji- dji-dji...”
- Porra…

A desgraçada disfarçadamente tinha puxado todos os papéis de uma vez só e estava imprimindo um pedaço do texto em cada folha.

- Puta merda.

- “Dji-dji- dji-dji- dji-dji...”
- A gente tinha combinado!
-“Dji-dji- dji-dji- dji-dji...”
- Sua falsa! Sua traíra! A vontade que eu tenho é de te...

Eu queria muito ter poder do Magneto, mas se tivesse iria acabar usando para o mal também.

Calma...Respira...Mentaliza o azul Angelo.
- Uffff....O azuuuul...Uffff....O azuuuul...

Vou tentar pela última vez.
Eu só preciso imprimir um simples documento importante de três folhas.

Tirei tudo da bandeja e pus apenas três folhas brancas tamanho A4.

Imprimir:
-“Vuuuuuuuuuuuu...Dji-dji-dji-dji- dji-dji...”
- Até que enfim. Doeu?

A impressora obsediada, após todo o show de pelanca que deu, resolveu imprimir tudo direitinho.

No finalzinho quando eu já estava com a mão na folha para puxar...

-“RASCK-RASK-RASK!”

A filha da puta amassou, sujou e rasgou o papel.

- I dont´t believe!

Começou a piscar para mim com um pedaço de folha preso na boca.
Parecia um gárgula.
Eu puxava e ela não soltava, tive que usar força de verdade para arrancar de lá.

- ME DÁ ISSO AQUI MALDITA!!!!!!

Apertei o olhinho verde piscando e ela começou a imprimir novamente.
Ao final da impressão ela rasgou de novo.
E a última folha também.

Eu já lutei até a morte com uma máquina.
Foi com o meu vídeo game.
Ele estava com mania de travar sempre na última fase das fitas.
Espatifei-o contra o chão e mordi o controle.
Fiquei um mês de castigo.
Me arrependo até hoje, claro.

Mas a impressora tinha passado dos limites.
Encostei a porta da secretaria para ninguém achar que eu sou maluco.
E a porrada comeu.

Se o telefone não se mete na briga ela estava fudida.

No fim do dia o técnico veio ver como ela estava.
Mas a sacripantas não apresentou nenhum defeito sequer.
Imprimia tudo que o cara mandava sem nenhum problema.
Paguei a visita à toa.

Agora está assim, ela continua trabalhando ao meu lado mas a gente não se fala mais.

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Para vocês que já fazem isso sempre, muito obrigado!

 


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Bonito hein?


Recebo várias mensagens de fãs do “Conta Uma” que são apaixonados pelo Bonito.
O engraçado é que hoje ele é um senhor gordo com três filhos e não tem a mínima idéia que suas histórias estão na boca do povo.

Então essa vai especialmente para os fãs dele:

Bonito era parecido com o Fábio Assunção, fazia sucesso com as mulheres.
Usava sempre camisa quadriculada de botão para dentro da calça com as mangas dobradas simetricamente. O seu cinto “marrom cagado” coordenava com os sapatos que de tão bem lustrados refletiam a luz ultravioleta do sol, reluzindo um prisma que enaltecia o azul dos seus olhos.
O corte “asa delta” somado às cinco horas de lavagem capilar, davam brilho e maciez ao seu cabelo castanho- esvoaçante.
Usava barba e bigode para parecer mais maduro.
Perdia quinze minutos do seu dia penteando as sobrancelhas com pente flamengo de cor preta, apesar de ser vascaíno doente.
Tinha vinte anos, parecia que tinha vinte cinco e mentia que tinha vinte e seis.
Trabalhava desde garoto e ganhava bem.

E foi assim, dando sua famosa risadinha matreira estilo anos 20, que ele chegou lá em casa sacudindo as madeixas, empesteando todo o recinto com o seu famoso xampu “tesão-de-vaca.”

- “Feliz dia dos namorados! Mr. Angelo Morse.”
- Vai à merda!
- “Desamarra essa cara que hoje a noite promete!”
- Cara, eu estou solteiro! Para mim não promete nada.
- “O senhor está de bobeira! Hoje é o melhor dia para se pegar mulher carente!”
- Mulher carente é um saco!
- “É um saco, mas dá sem pensar!”
- Odeio o dia dos namorados!

Ninguém gosta de estar sozinho nesse dia.
Mesmo sabendo que é uma data extremamente comercial criada para aumentar as vendas entre o dia das mães e o dia dos pais.

- “Nossa, que mau humor!”
- Além do mais, só sendo muito imbecil para sair com a mulher nesse dia. Os bares e restaurantes estão entupidos, os cinemas esgotados e os motéis com uma fila de espera gigantesca.

Ficar sentado em ante-sala de motel é mais constrangedor que aquela gota de Leite de Rosa que escorre do sovaco até o cotovelo.

- “Bom, já que você está assim, nem vou contar a novidade.”
- Valeu, tchau!
- “Descolei duas “namoradinhas” para gente, ô mané!”

Nada é mais apelativo do que marcar encontro no dia dos namorados.

- “Elas são gostosas!”
- Me arrumo em cinco minutos!

I Love o dia dos namorados!

Eu tenho senso crítico e plena consciência que também era doido.
Usava sobretudo preto, jeans preto e...Botas!
Fumava um cigarro caríssimo chamado Benson & Hedges Menthol e para fumar, acendia o isqueiro Zippo na bota como se vivesse em algum seriado americano, ruim.
Na verdade, eu jurava que era o Lorenzo Lamas.

http://www.youtube.com/watch?v=bFOc0KQ7ffs

Infelizmente, sem a caraça, a moto e as armas do Lorenzo...
Só me sobrava... Lamas, nas botas.

Bonito tinha um Escort XR3 que era mais perfumado que ele.

- De onde surgiu essas mulheres hein?
- “São lá daTerra de Malboro!”
- Puta que pariu...

Terra de Malboro era o apelido da cidade vizinha.
Uma cidade com costumes, pessoas e paisagens um pouco diferentes das que estávamos acostumados.

- E onde nós vamos?
- “Num barzinho lá que é o maior sucesso.”
- Porque você marcou o jogo no campo inimigo?
- “Confie em mim!”
- Tudo bem. Mas que bairro é esse hein?

Era um lugar longe, escuro e sombrio. O nome tinha alguma coisa a ver com algum animal. Não era lago dos cisnes!

- “Ali as mulheres!”

Ligar Scanner ...

- “Muito prazer, Jaqueline”...Digamos assim!

Jacq Tequila era bem mais velha, tinha uns trinta e dois anos. Era bonita, simpática e atraente. O decote imoral revelava seios firmes e mamilos pontiagudos. Era alta, tinha pernas longas, esguias e loiras.
Ela tinha usado no cabelo alguma substância que com certeza não foi aprovada pelos agentes da ONU.
Espalhados pelo corpo tinha mais penduricalhos que uma árvore natalina e fazia aquela pintinha em cima do canto da boca com lápis de olho preto que lhe dava um ar vulgar, quer dizer...Sexy!

- “E essa é minha amiga Clarinha.”

(Mas nem sobre tortura eu digo o nome verdadeiro da mulher.)

Clarizete (Não aguentei!) era mais nova que Jacq, devia ter uns vinte e dois anos. Era magrinha, tinha seios de Danoninho, bunda de pêra, cabelinho de miojo e pernas de mocotó.
Seus pêlos eram loiros, apesar dela ser morena.
Era bonita, mas devia ter feito melhor o buço e não ter deixado a irmã hiperativa de dois anos maquiá-la.
Parecia que tinha passado blush com uma vassoura piasava.

Mas não há nada que a penumbra do álcool não resolva.

O bar também era bem diferente. Cafona, mas aconchegante.
Tipo cama de motel.

Bonito veio em minha orelha com sotaque do Evandro Mesquita:
- “E aí, gostou da Clarinha?”
- Gostei, gostei...

(Na verdade eu tinha gostado mesmo era da Jacq Tequila e anos depois ela viria a ser o motivo do fim da nossa amizade.)

- “Hoje nós vamos beber Whisky, Mr. Angelo!”
- Mas a gente bebe cerveja tão bem!
- “Vai por mim, mulher adora garrafa de destilado em cima da mesa.”

Segundo ele, rolava uma atração. Tipo mariposa com lâmpada.

Minha relação com o Whisky é a mesma com o ânus feminino.
Eu nunca peço, mas se me oferecer muito eu aceito. Geralmente em dia de festa.
Ok. Too much information.

- Bhlerg! Não gostei, Bonito!
- “Doutrine o seu paladar!”

Bonito quando bebia virava o Marlon Brando

Doutrinar o paladar era maltratar o pobre do whisky com guaraná.

Jacq Tequila só falava sacanagem, e no idioma italiano.
Já Clarinha falava besteira em português alternativo mesmo.

Mesmo assim, a noite dos namorados estava ótima.
Beijos, frango à passarinho, álcool e...pagode.

Clarinha era levinha e fácil de levar na dança.
Já Bonito dançando parecia um mamulengo com Mal de Parkinson.
O problema era que Jacq Tequila...Era muito voluptuosa dançando.
Arrastava as costas na parede, derretia até o chão e mostrava muito mais do que deveria.
Sua performance chamava atenção de todos.

- Bonito, segura sua mulher aí, cara!
- “Deixa a menina, ela está comigo!”
- Então ta!

Quando garrafa vira ampulheta é a hora de ir embora. Mas...
E tome álcool...

De repente, as meninas voltavam do banheiro quando dois babacas as cercaram.
O Babaca 1 pegou na calça da Clarizete, que se desvencilhou com o cotovelo e voltou para mesa.
O Babaca 2 agarrou no braço de Jacq Tequila.

O problema desses caras babacas, é que realmente existem mulheres que gostam deles.

Bonito partiu para cima do maluco com sete peixeiras imaginárias, deu um esporro, catou Jacq pelo cangote e voltou para mesa enfezado.

A discussão dos dois era abafada pela música e a cena acontecia em quadros por conta da luz estroboscópica.
Parecia um filme do Chaplin.

E Clarizete se sacudindo toda igual a Xica da Silva, decretou:
- “Odeio confusão, vamos embora!”

Mas Bonito quando bebia virava o Sinhôsinho Malta:
- “Eu não vou sair daqui por causa desses babacas de jeito nenhum. Tô certo ou tô errado?”

Desesperado em salvar a minha noite:
- Calma aí Clarinha! Bonito, vamos embora, por favor?
- “Qual é Angelo? Está com medo dos caras? Pra quê que serve o seu Kickboxing?

Fiz Kickboxing durante um mês quanto tinha 14 anos.
(Na verdade foi Full Contact)

- Não estou com medo, mas lembre-se que estamos bêbados e num lugar desconhecido e perigoso.
- “Eu nunca fico bêbado! Garçom...!”

O pior é que o filho da puta nunca ficava bêbado mesmo.

- Tudo bem, a gente toma uma saideira e partimos para o motel, ok?
Aproveitei e joguei logo a situação para todo mundo entrar no clima.
- “Tudo bem.”

Demorou meia hora para a testosterona assentar.

Só que os babacas estavam realmente a fim de confusão. Ficavam encarando e rindo.

Eu nunca brigo.
As poucas vezes que briguei na vida perdi o controle completamente, acabei exagerando e bastante arrependido.

- Galera, vou ao banheiro para gente ir embora. Bonito, pede a conta aí!

Só que os babacas estavam no caminho do banheiro, e quando eu passei percebi que eles murmuraram algo, rindo.

(Foda-se! Estou indo para o motel otários!) Nem dei idéia.

Mas Bonito deu.

Quando voltei do banheiro, ele estava engalfinhado com o Babaca One, rolando pelo chão.

Corri para separar, mas no caminho, vi que o Babaca Two, na covardia, deu um chute nas costas do meu amigo.

Não mexe com os meus, não.

Mesmo sem olhar para o lado, estiquei a mão e peguei a primeira coisa que encontrei pela frente.
Podia ter sido uma espada samurai, um sabre de luz, uma foice, uma garrafa, uma faca ou um garfo. Mas não...
Foi uma bandeja, dessas de garçom.

Acredite em mim, é uma ótima arma.

Kickboxing porra nenhuma, dei foi muita bandejada nos malucos.

Chegou uma hora que tinha muita gente na confusão.
Nem pensei duas vezes, fui na pilha das bandejas e comecei a disparar para tudo que era lado.
Ninja Crazy!

Quando ouvimos:
- “Pega a arma!”

Corremos feito o Forrest Gump.

Ao contrário de mim que deixo tudo em cima da mesa, Bonito era organizado e andava sempre com o chaveiro preso na calça.
Nos jogamos dentro do Escort e fugimos pela contramão, sem pagar a conta.
Bonito quando bebia virava o Speed Racer.

Após alguns minutos mudos, ele deu uma freada que o carro quase capotou para frente.
- “Puta que pariu!”
- As meninas????
- “Não! Suas coisas ficaram em cima da mesa!”
- Deixa para lá, Bonito, vambora daqui!
- “E deixar aquele Zippo caríssimo que eu te dei? Nada disso! Vamos voltar!”

Como é adorável a ousadia da juventude, não é mesmo?

Passando devagarzinho perto do bar, quem a gente vê no ponto de ônibus em pé, parada?
Jacq Tequlila com todas as minhas coisas na mão.

- “Vocês são uns filhos da puta! Deixaram a gente para trás!”

Bonito não perdeu tempo:
- “Mas eu voltei justamente por você, amor!”

E assim os dois se apaixonaram, namoraram, casaram e se separam só muitos anos depois.

Clarizete?

Ficou puta que tomou uma bandejada na têmpora e nunca mais falou comigo.

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Obrigado pela paciência!


terça-feira, 5 de junho de 2012

Sapa Cone



Como mencionei anteriormente, a boate era um local imponente.

Construída para receber milhares de pessoas por dia.

A bebida era ridiculamente mais barata do que a bala.

O cigarro valia muito mais do que as mulheres.

Os homens valiam muito menos do que diziam.

A mulambada incandecia e a playbozada ardia.

No vulcão, sexofunk que despertava a periferia.

- “Gerente!”
- Pois não!
- “Tem um casal metendo no lixo.”

Minha área de atuação era ao lado de fora da casa.
No gigantesco estacionamento entre centenas de carros...
Ficava longe do som estupidamente alto, em contrapartida, perto demais dos problemas altamente estúpidos.

- Metendo o que no lixo?
- “O que você acha patrão?”

(Eu acho que um casal psicopata está metendo um cadáver dentro do container de lixo!)

- “Estão transando no lixo!”

A hipótese do casal psicopata fazia muito mais sentido para mim.

- Impossível!

Era uma montanha de lixo. Com ratos, baratas e objetos cortantes que só seriam retirados pela manhã.

Ainda sem acreditar, subi a escadinha que dava para a parte de cima e vi os dois pombinhos fazendo amor lá embaixo.

Pombo é um bicho nojento mesmo, né?

A mulher na frente com as mãos apoiadas no limpíssimo container, e o homem atrás envolvido em seus “movimentos peristálticos” se equilibrando para não cair no chorume.

Por isso, tomei cuidado para chamá-los bem baixinho:
- ÔOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Minha voz é bonita, grossa, aveludada e bastante potente.

Os dois se assustaram e se afundaram no lixo movediço.

- Meus queridos! Medo de pegar AIDS nós já sabemos que casal destemido não possui, mas nesse ambiente, vocês também correm o risco de contrair Peste bubônica, Câncer, Pneumonia, Raiva, Rubéola, Tuberculose e Anemia.

(E o pulso, ainda pulsa.)

Enquanto a menina ajeitava o que ela supunha ser um vestido, o cidadão “desasseado” veio em minha direção com a mão boba esticada para me pedir desculpas.

- Mermão, se encostar em mim, dar-te-ei um safanão que vais parar lá no Trópico de Capricórnio.

- “Gerente, gerente! Tem uma mulher metendo na outra aqui no meio do estacionamento!”
- Estão transando?
- “Não, metendo a porrada mesmo!”

E esse era a único tipo de confusão que os seguranças não apartavam de forma alguma.

Por muito pouco não jogavam mel e se masturbavam.

Briga de mulher é feia e cheia de unhadas.

Parecia o Wolverine versus Edward Mãos de Tesoura:

Fora os sapatos bumerangue que se pegassem na têmpora...

- “A senhorita está achando que vai introduzir um chifre no meu orifício anal?”
- “Sua filha de uma progenitora desqualificada!”
- “É você que sempre tenta surrupiar quem me digere”.

Claro que o palavreado não era esse, mas eu quis poupá-los!

O vernáculo da discussão alcançava níveis tão baixos que nem eu tenho capacidade de reproduzir.

Ter eu tenho, mas é desnecessário.

O que importa é que as duas gostosas já estavam descabeladas, sangrando e seminuas.

E ninguém se metia.

Além de eu não ser insano de atrapalhar o show porraderótico, nunca me arriscaria a levar uma unhada na cara por conta de uma briga de piranhas.

Mas em algum momento aquele circo teria que fim.

Foi quando...
O céu sobre nós foi coberto por nuvens negras e carregadas.
A temperatura caiu tão bruscamente que se não me falha a memória, pedras de granizo tilintavam nos vidros dos carros.
O chão começou a estremecer.
E uma voz muito mais potente que a minha, rasgou o silêncio de forma apocalíptica.

Parecia a voz do Optmis Prime, puto:

- “VAMOS PARAR DE GALINHAGEM, PORRA!!!!!!!!!!!!!!!”

Todo mundo parou e olhou assim arregalado...

Os cús travaram de uma vez só em lá sustenido.

A figura usava boné, calça preta arriada, tênis branco e sutiã.

Era do sexo feminino, mas eu não estava certo se era uma mulher.

A maioria das brigas da boate era por causa de ciúmes e traição.
E essa não era diferente.
Eram duas mulheres lutando pelo amor de um sapatão.

Eu moro no planeta Terra e não sou daquelas pessoas equivocadas que acham que o homossexualismo não é coisa normal.

O que estava para acontecer é que não era.

Após o esporro titânico que chegou abrir um clarão entre nós e ela, a sapa cuspiu, virou para o lado abaixou as calças e começou a mijar...

EM PÉ!

Meu funcionário sussurrou embasbacado assim como todos:

- “Gerente..Você que sabe de tudo...A mulher está mijando em pé?”

Arqueei a sobrancelha esquerda e dei um zoom de 300%.

- Claro que não! Ela deve estar com um daqueles cones.
- “Que cones?
- Uns cones aí que inventaram para mulher mijar em pé...”

Única explicação aceitável.

Só que não havia nada na mão dela.

Sim, a mulher mijou em pé.

Ela deve ter arrumado uma tática com os dedos, tipo aquela que a gente faz para água da mangueira ficar mais forte.
Sei lá...

Mermão, eu sei que a Sapa Cone terminou, suspendeu a calça, ajeitou sei lá o quê e veio andando em direção ao carro estacionado perto da gente.

Todo mundo abriu espaço.

Única vez que vi o pessoal ser tão educado.
Ela se dirigiu a mim:

- “Você que é o gerente?”
Puta merda...Brigar com sapatão é foda, porque se você bater, bateu em mulher e se apanhar, apanhou de mulher.

E daquela eu ia apanhar.

Sabe quando você tem que tossir antes para começar a falar.
Deixei a sobrancelha arqueada como se fosse uma naja.

- Sim, sou eu.
- “O senhor me desculpe por essa palhaçada!”
- Tudo bem.
- “Quebraram algum carro? Eu pago!”
- Não.
- “Menos mal.”

Sapa Cone abriu a porta e fez um sinal com a cabeça para as duas. Como se fossem labradores treinados.

As mulheres que tentavam esconder o que a baixaria anterior insistia em mostrar, entraram no carro sem dar um pio.
E foram embora todas juntas.

Quando o carro arrancou, o barulho do destrave anal coletivo foi palpável.

PLOC!

Aí, na boa...Sapa Cone era sinistra.


http://www.youtube.com/watch?v=vIvhZ5PnUnQ

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Mas tem que me ligar e falar a frase: "A vida é mais inverossímil que a ficção!"
Concurso não válidos para parentes.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dona Lagartixa


“É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho." 
Willan Shakespeare.

Hoje eu vou contar uma rapidinha pode?

Aconteceu ontem...

Procurar emprego é uma das coisas mais chatas da face da terra.

É por isso que sempre trato com respeito todas as pessoas que deixam o currículo aqui na empresa.

Confesso que algumas vezes preciso grampear meus lábios para não rir na cara do sujeito. E olha que a minha boca é grande.

Outro dia, recebi um currículo com todo o histórico escolar incluindo o último boletim da menina:
- Hummm...Muito bom! 9,5 em Filosofia. Contratada!

Outro veio com o teste do tipo sanguíneo anexado:
- Sangue 0-. É aquele universal, né? Interessante. Contratado!

Tinha um currículo com uma foto do corpo inteiro da menina estampada.
- Que gostosa! Contratada na hora!

Um dos mais legais tinha o telefone da mãe e do pai como referência de trabalhos anteriores.

Imagina:

- Senhor Fulano de Tal, por gentileza, gostaria de informações sobre o Fulano de Tal Jr.
- “É um menino de ouro!”
- Muito obrigado. Tá contratado!

Tirando esses que vão direto para o lixo, a maioria a gente arquiva.

Essa fez questão de ressaltar assim que me entregou o papel:
- “Meu filho, por favor, não joga fora não! Eu estou precisando muito de um emprego”.
- Pode deixar senhora, se aparecer alguma coisa eu ligo.
- “É que eu sei que tem pessoas que não gosta de gente velha”.

Ela nem era velha. Parecia uma... Uma lagartixa.

- Eu gosto.
- “Até parece! Ninguém gosta de velha!”
- Quero dizer que para gente isso não faz a menor diferença.

E arrematei:
Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.

(Eu já fui escoteiro)

(Mentira)

(Isso é Rousseau)

- “É isso aí! Garanto que sou melhor que essas novinhas com filho que vivem faltando o serviço. Eu nunca falto”.
- “É uma ótima qualidade...”
- E também não tenho medo de serviço pesado e nunca fico doente.
- Saúde é um ótimo atributo.
- “Você vai me ligar mesmo?”.
- Sim.
- “Jura?”
- Sim.
- “Olha lá hein!”

E foi embora.

Era uma coroa um tanto matusquela, mas demonstrou disposição.

Por coincidência, apareceu uma vaga para auxiliar de serviços gerais:

- Olá, Dona...Lagartixa, digamos assim.
- “Quem é?”
- Angelo Morse! A senhora deixou um currículo comigo.
- “Ah sim!”
- Apareceu uma vaga, poderia aparecer para uma entrevista?
- “Hoje?”
- Isso.
- “Hoje não posso, pode ser amanhã?”

“Hoje não posso” foi um tanto inadequado.

Mas tudo bem.

No dia seguinte...

- “Olá seu Angelo, muito obrigado por  ter me chamado.”
- Que nada!
- “A vaga é para que mesmo?
- Olha, é para auxiliar de serviços gerais.
-“Faxineira?”

Também não gosto de rodeios.

- Exato.
- Puxa vida...
- Ué, mas no seu currículo diz que a senhora trabalhou com isso nos últimos três empregos.
- Por isso mesmo, estou cansada.

Não demonstrava mais muita disposição.

- Bom, a vaga é essa.
- “E é para limpar o que?”
- Tudo.
- “TUDO!!??”
- É, né?
- “Eu e mais quantos?”
-Han? Não, não...É só você.
- “Caramba, mas é muita coisa para limpar!”
- Ninguém nunca reclamou.
- “E o horário?”
- De seis da manhã até às 15 horas.
- “SEIS DA MANHÃ!!!!???
- Abrimos às sete.
- “Mas seis da manhã é muito cedo.”
- Eu sei, mas eu mesmo chego às sete.
- “Concorda que é cedo?”

Eu estava bem humorado.

- Concordo.
- “Posso chegar oito?”
- O que? Ha...Não, tem que ser às seis mesmo.
- “Hummmm...E se eu fosse aceitar, começaria quando?”
- É para começar amanhã.
- AMANHÃ!!!!?????
- Estamos precisando com certa urgência.
- Não dá para começar só na segunda, não?
- Infelizmente, não.
- “Vamos fazer o seguinte. Eu chegoàs sete!
- Senhora, EU chegoàs sete, você tem que chegar às seis.
- “Mas é muito cedo!”

Liguei o IronicMode

- Bom, a senhora faz o seguinte. Vai para casa, relaxa, toma um suquinho de mangaba, tira um cochilo, pensa um pouco e me liga mais tarde quando estiver mais descansada.
- “Hoje ainda?”
- Sim.
- “Posso ligar amanhã?”
- Não senhora, amanhã já é para começar a trabalhar.
- “Então, tá. Vou pensar e te ligo.
- Ok!

Vai com Deus.

Já amassando o currículo e jogando na lixeira.

Não acreditei na conversa que tinha acabado de ter.
Perdemos tempo.

A noite ela me liga:

- “Seu Angelo, eu pensei, e achei melhor aceitar.”
- Que pena Dona Gorgonzola, mas a senhora demorou muito.
- “Poxa! Mas você ficou de aguardar a minha resposta.”
- E estou aguardando.
- “Então, estou falando que minha resposta é sim!”
- Já ouvi, está anotado.
- “Estou contratada, então?”
- Não, infelizmente eu já contratei.
- Mas essa pessoa é melhor do que eu em que?
- Ela aceitou na hora.
- “Me diz uma coisa, ela é novinha, não é?”
- É.
- “Sabia que você não gostava de velhas.”