quinta-feira, 22 de março de 2012

A noiva fantasma

 
Hoje vou contar uma história diferente. Uma história do meu coração.

Vocês acreditam em lenda?
Estou falando de lenda de verdade, não esses boatos maldosos que espalham por aí.
Tipo esse agora que inventaram, que se você ouvir o CD do Michel Teló ao contrário escuta a voz da Xuxa.
Isso é maldade. Estou falando de lenda.
Como a do Boto que engravida a virgem e depois volta para o mar ou a da loira que arranca o fígado do cara e o deixa na banheira com gelo.

Eu tenho minha própria lenda.

Eu me apresentava com o grupo num barzinho todo fim de semana.
Éramos: “Os Cavaleiros do Apocalipse”.
Ney e Elias no violão, Mazza na percussão e eu na voz. 

Hehehe... Essa agora nem eu aguentei... “Eu na voz” foi foda!

Eu não sou cantor, mas todo bêbado que se preze acha que é.
A verdade, é que a gente pagava para tocar no bar.
Enchíamos a cara e nos divertíamos.
Numa dessas “apresentações”...
(Em homenagem ao meu ex-grupo vou tirar as aspas).

Numa dessas apresentações apareceu ela: Renata.

Uma mulher elegante e arrumada.
Arrumada demais inclusive. Estava vindo de alguma festa com certeza. 
Cheia de jóias, andando firme encima dos sapatos finos.
- Até o toc, toc, toc do salto era diferente.
Tinha um cabelão de comercial de shampoo, sabe?
Mulher tratada, uns sete anos mais velha que eu.

Sentou numa mesa sozinha e pediu uma cerveja.

Humm...O cenário não estava combinando. Sabe jogo dos sete erros?

- “Foi só eu chegar para vocês pararem de cantar?”
- Estou esperando você pedir uma música.

(Mostrou a bunda eu taco talco)

- “Rsrs...Então eu quero... A Rosa, de Chico Buarque!”

Ney viola mandou uma introdução daquelas.
E a gente cantou o buquê inteiro. Várias músicas!
E assim ficamos amigos da Renata.

Eu, que era mais abusado, um pouquinho mais.

- “Obrigada pela noite agradável, mas eu tenho que ir.”

Puxou um cheque do Distrito Federal e pagou a conta de todas as pessoas do bar. De todas!

- Que isso Renata, não...
- “Faço questão!”

Ninguém se mexeu.

Mermão! O taxista que ela fez sinal, tinha uma cara de assassino de Renatas da porra!

- Querida, vem cá por favor!
- “Oi”
- Olha só, não sei de que galáxia você surgiu, mas nesse planeta, vagabundo arranca teu braço inteiro para pegar esse anel aí.

Anel de Rubi.
Fora cordão, pulseiras, brilhantes...

- “Tem razão! Faz o seguinte, me acompanha!?”
- Hum!?
- “Vem!”

O taxi me deixou na porta de casa, quando eu saltei, ela foi tirando todas as jóias e jogou na minha mão

- “Guarda para mim! Amanhã pego com você!”
- Está maluca mulher? Você nem me conhece!
- “Como não? Passei a noite inteira com você. Você não é de confiança?”

Olhei para o mini tesouro.

- Sou, né? Mas...
- “Amanhã eu te ligo.”

E foi embora.

Cheguei em casa minha mãe estava vendo Supercine:
- Mãe olha aqui!

Maluco, quando mamãe me viu chegando em casa, de pileque, em plena madrugada, cheio de jóias na mão, ficou branca e começou a tremer...

- “Meu filho, onde você arrumou isso pelamordedeus!”

(Um dia eu conto Todo Sobre Mi Madre)

- Mãe, você não vai acreditar, um mulher que eu nunca vi na vida deixou comigo para guardar.

Ela deu uma inspecionada no anel de rubi e até se benzeu.
- “Meu filho, que perigo...Que mulher é essa?”

No dia seguinte, Renata me liga:
- “Olá! Está em casa? Estou passando aí.”

Nem esperou o convite para entrar.
Bom, vampira a gente sabe que ela não era!

Chegou mais alegre que o Luigi Baricelli no caminhão do Faustão.
Minha família a adotou, tanto que começou a freqüentar minha casa.
Ela sabia conquistar as pessoas.
Sabia comprar também.

E entre uma visita e outra:
- “Quer namorar comigo?”
- Quem?
Eu não queria namorar ninguém, nem estava apaixonado, mas...

Durante um mês de namoro eu nunca vi ninguém gastar tanto dinheiro em tão pouco tempo e sem sentido.
Sempre pagava a conta para todo mundo em volta, sempre ia aos lugares mais caros, ficava cinco minutos e ia para outro, dava presentes, etc.
A mulher era inquieta!

Eu me sentia meio Julia Robert em “Pretty Woman”.
Acreditem ou não, dinheiro não enche meus os olhos tanto assim.

Às vezes, eu tinha que segurar a onda dela:
- Renata, calma! Você tem alguma doença terminal, é isso?
- “A vida é terminal Angelo!”
- “Hahahahaha...”

A risada era de maluca mas o argumento era bom.

E todos os dias que eu chegava do trabalho tinha uma Rave em casa.

Num fim de festa desses, com todo mundo deitado no chão da varanda igual foto da segunda guerra, ela mandou:
- Está pronto para dar o próximo passo no nosso relacionamento?

Todos os bêbados presentes abriram um olho.
Inclusive eu com a cabeça no colo dela quase dormindo:
- Que passo mulher?
- “Casa comigo?”
- Hã?...caaaaaaaaso, claro!

E voltei a dormir.

- “Jura? Então vamos nos casar!”
- Agora? Espera até amanhã.

Levantou de supetão (Nunca ficava bêbada) e puxou minha mãe, cheia de cerveja, pelo braço:
- “Vem sogrinha.”

Saíram.

Ney viola:
- “Tá fudido, do jeito que essa mulher é maluca, vai arrastar a porra de um padre até aqui.”

- Vai nada...É maluca mas não é doida!
A mulher não ia arrastar um padre até lá, né? Há limites!

Duas horas depois:
- “Deu sorte, Sr. Angelo Morse, que não tinha mais nada aberto...”
- Puxa, que chato hein...
- “...Mas eu quero pelo menos comemorar nosso noivado.”
- Pega uma lata ali e vamos brindar!
- “Não, eu quero sair!”
- (Puta que pariu...)

Fomos para a suíte presidencial mais cara da cidade.

Eu era um ser mitológico de tão doido: Metade bêbado e metade defunto.
Sei que depois da comemoração, quando sentamos para jantar...
(lembro como se fosse hoje!)
...Renata de camisola preta e sorriso Heleninha Roitman, chega na mesa com uma garrafa de champagne na mão a outra mão no meio das pernas escondida:

- “Tenho uma surpresa para você!”

Pronto! É agora que essa filha da puta vai puxar uma pistola e me matar.
Caí numa porra de lenda urbana, puta que pariu!
Se for levar meu rim, meu pulmão ou meu fígado está fudida!
Discretamente, peguei o garfo e a faca igual um samurai.

- Qual surpresa Renata?

A mulher me coloca a porra de uma caixinha preta de veludo na mesa, abre e me mostra duas alianças.

Cuspi o camarão no cabelo dela e engasguei:
- Ruft! Cof, cof, cof, cof, cof...

Meu telefone toca na hora:
Era mi madre:
- “Parabéns meu filho, tem coisas na vida que são assim mesmo...”

Minha mãe estava radiante. O filhinho ia casar...

Eu sei que a vida é inverossímil, mas essa estava demais!
De cabeça cheia e saco vazio, não tive outra escolha senão concordar.
Botei a porra da aliança no dedo e fiquei noivo, simples assim.
(Amanhã eu converso com ela.)

No dia seguinte, chegando em casa...
- Renata, sério, você não acha...
- “Surpresa!”
 Tinha uma festa de noivadooooooooooooooooooooooooooooooooo!
Com amigos e minha famíliaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

A louca tinha armado tudo com minha mãe no dia anterior.
Tinha fotógrafo e o caralho!
Ninguém entendeu nada, mas me davam os parabéns. Foda-se!
Então eu fui na onda.
Eu era novo.

No dia seguinte do noivado:
- “Querido, eu vou precisar viajar por quinze dias. Quando eu voltar trago minhas coisas para o casamento. Promete que vai me esperar?”

- Prometo, ué!
Levantei a aliança como quem mostra as algemas.

Dois dias depois eu a levei no aeroporto:
- “Juízo hein garoto, te amo!”

Foi embora com o avião.

E eu nunca mais tive notícias.

Já tomou alucinógenos?
  
Eu já!

18 comentários:

  1. Vem cá verdade...nunca mais vc soube dela? que sinistroooooo

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  2. essa foi sinistra mesmo... lembro como se fosse hj...rsrsr

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  3. Lara perguntou se a mulher era um fantasma.

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  4. Leio tudo q vc escreve aqui, mas nunca me pronunciei. Acho seus textos maravilhosos, morro de rir(nunca jamais igual a mulher do Carlinhos), mas dessa vez preciso falar. Apresente por favor 3 testemunhas da existência dessa dona, pq o caso é muito inacreditável. Ou vc é o cara mais azarado do mundo(perdeu a ricaça apaixonada), ou é o maior sortudo(se livrou do casamento com uma maluca e continua com seus órgãos internos em seus lugares de origem) ou o maior contador de história da blogosfera...rs...De qualquer forma, parabéns pelos seus textos.

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    1. Maíra, pode ter certeza que não me considero azarado.
      Pelo contrário, a mulher era maluca e eu era muito novo.
      Agora as testemunhas...
      Bom, tem o Leo Caldeira aí em cima que na época era meu chefe, participou de tudo, inclusive foi tipo um padrinho do noivado. E é pessoa idônea.
      Posso pedir para minha mãe e minhas irmãs falarem aqui também, mas olha só...
      Se eu tiver que arrumar testemunhas para todas essas histórias que eu contar, vai ficar chato, né?
      De qualquer forma, obrigado pelos elogios.
      Beijoca
      Angelo Morse

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  5. Algiém disse um dia que rir faz muito bem para a saude... te agradeço muito por cuidar assim tão bem da minha. Beijos e isso tudo é otimo!!! Beijos
    Katia

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  6. Eu me lembro até da aliança!!!!!!! hahahahahahaa....

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  7. realmente a sua vida da um livro! rs

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  8. Foi só uma brincadeira Angelo, verdadeiras ou não, eu venho aqui pra rir e tá funcionando!abs

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    1. Claro, Maíra, claro!
      Isso para mim é um grande elogio.
      Que bom que te faço rir!
      Beijoca!

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  9. Melhor do que muita serie!!!! estou comendo aqui e lendo, que história impressionante, sensacional Angelo.

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    1. E acredite...Verídica!
      Obrigado pela preferência!
      Divulga pra me ajudar..
      Abs

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  10. hahahahahahahah ri muito cara! temos certo gene azarado em comum!

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